O que aprendemos ouvindo a Jovem Advocacia no ENJA 2026
Nos dias 21 e 22 de maio de 2026, o FalaJus esteve no XXIII Encontro Nacional da Jovem Advocacia (ENJA), realizado no Pro Magno Centro de Eventos, em São Paulo. Durante dois dias, conversamos com representantes da OAB, dirigentes da Jovem Advocacia, advogados, advogadas e profissionais de diferentes estados brasileiros sobre os desafios que marcam o início da carreira e as transformações que vêm redesenhando a advocacia. O evento reuniu milhares de participantes em torno de debates sobre tecnologia, empreendedorismo, comunicação, inteligência artificial, produção de conteúdo, networking e desenvolvimento profissional.
À medida que as entrevistas aconteciam, ficou evidente que os temas mais comentados iam muito além da tecnologia. Inteligência artificial, produção de conteúdo, posicionamento profissional, comunicação, networking, empreendedorismo jurídico e inovação apareceram em praticamente todas as conversas. Mas, ao ouvir profissionais de diferentes estados, áreas de atuação e momentos de carreira, percebemos que essas discussões frequentemente desembocavam em uma reflexão comum: como construir uma trajetória sólida em uma advocacia que muda cada vez mais rápido?
Foi justamente nesse ponto que o FalaJus identificou a principal mensagem deixada pelo ENJA 2026. Em uma profissão cada vez mais conectada, onde respostas chegam em segundos e as redes sociais frequentemente exibem apenas os resultados, as entrevistas revelaram uma percepção diferente: a maior inquietação da Jovem Advocacia não parece estar na inteligência artificial ou nas transformações do mercado, mas na ansiedade de alcançar rapidamente resultados que, historicamente, sempre dependeram de tempo, estudo, experiência e construção. As reflexões reunidas a seguir mostram como diferentes profissionais, partindo de vivências distintas, chegaram a uma conclusão muito semelhante sobre o futuro da advocacia brasileira.
As vozes que marcaram o ENJA 2026
Dra. Daniela Magalhães
Vice-Presidente eleita da OAB São Paulo
Para Daniela Magalhães, a inovação não deve ser encarada como uma ameaça, mas como uma oportunidade de fortalecer a advocacia. Segundo ela, a tecnologia precisa assumir tarefas repetitivas para permitir que o advogado dedique mais tempo ao que realmente importa: compreender pessoas e atender bem seus clientes.
“A Jovem Advocacia não deve temer a inovação.”
“A tecnologia deve fazer aquilo que é braçal, para que sobre tempo para atender bem os clientes.”
Dr. Marco Aurélio Jr.
Ao refletir sobre o futuro da profissão, Marco Aurélio lembrou que, mesmo diante do avanço da inteligência artificial, o diferencial competitivo da advocacia continua sendo humano.
“Quem entende de gente nunca fica sem cliente.”
Ao abordar o mercado jurídico, também reforçou uma ideia que apareceu em outras entrevistas.
“Competitividade vem de competência.”
Dra. Vitória Furtado
Representante da Jovem Advocacia do Maranhão
Vitória Furtado propôs uma mudança de perspectiva sobre uma das frases mais repetidas entre estudantes e jovens profissionais.
“A advocacia não é saturada. Ela é competitiva.”
Para ela, compreender essa diferença leva o advogado a investir no desenvolvimento de competências como oratória, comunicação, escrita e networking, em vez de enxergar o mercado apenas como um obstáculo.
Dra. Nora Nery
Diretora da OAB Tatuapé
Ao falar sobre o início da carreira, Nora Nery lembrou que todo começo costuma ser acompanhado por insegurança.
“O difícil não é difícil. É desconhecido.”
Sua reflexão reforça que a advocacia, assim como qualquer outra grande conquista da vida, exige coragem para enfrentar aquilo que ainda não conhecemos.
Dr. Lucas Gertz
Lucas Gertz chamou atenção para um medo pouco comentado entre jovens advogados.
“O maior medo não é o processo judicial. É o processo da carreira.”
Segundo ele, muitos profissionais acabam comparando seus primeiros anos de advocacia com colegas muito mais experientes, esquecendo que toda trajetória profissional possui um tempo próprio de amadurecimento.
Dr. Guilherme Silva
Criminalista
Representando a advocacia criminal, Guilherme Silva destacou o papel do acolhimento e da troca de experiências para quem está iniciando na profissão.
“Se der tempo ao tempo, as coisas dão certo.”
Para ele, a ansiedade em relação aos resultados costuma ser muito mais prejudicial do que a falta de oportunidades.
Dra. Caroline Vilella
Caroline Vilella destacou a importância de encontros nacionais como o ENJA para ampliar horizontes e fortalecer conexões entre profissionais de diferentes estados.
“Conhecer como o Direito é aplicado em outros estados é enriquecedor.”
Ao falar sobre os desafios da Jovem Advocacia, também apontou um receio bastante comum.
“Um dos maiores medos é conversar com o cliente.”
Dr. Leandro Pallotino
Para Leandro Pallotino, produzir conteúdo jurídico representa uma forma de aproximar o advogado da sociedade e fortalecer relações de confiança.
“A internet conecta o advogado aos seus clientes.”
Segundo ele, muitas pessoas lembram justamente daquele profissional que compartilha conhecimento de maneira constante e responsável.
Dr. Murilo Bastos
Murilo Bastos também defendeu a produção de conteúdo como ferramenta legítima de aproximação entre advogado e cliente.
“A produção de conteúdo aproxima, sem sombra de dúvida.”
Ao comentar o receio que muitos profissionais ainda possuem em relação à publicidade jurídica, deixou uma mensagem direta.
“A OAB não é uma inimiga. Ela é uma parceira do advogado.”
Ao final do ENJA 2026, o FalaJus deixou o evento com uma percepção muito clara. Em um momento em que a advocacia discute inteligência artificial, produção de conteúdo, inovação e transformação digital, talvez o maior desafio da Jovem Advocacia continue sendo compreender que carreiras sólidas não são construídas na velocidade das redes sociais. Elas continuam sendo resultado de estudo, experiência, relacionamento, desenvolvimento contínuo e, principalmente, paciência. Foi essa a mensagem que encontramos nas diferentes entrevistas realizadas durante o encontro e que, de formas distintas, uniu profissionais de diferentes estados, áreas de atuação e trajetórias. Mais do que acompanhar um evento, o FalaJus teve a oportunidade de registrar uma geração que está ajudando a construir o futuro da advocacia brasileira.
As entrevistas que deram origem a esta reportagem podem ser assistidas na íntegra no destaque “ENJA 2026”, disponível no perfil oficial do FalaJus no Instagram:
Acessar o destaque ENJA 2026 no Instagram do FalaJus
Reportagem, entrevistas e edição
Marcello Prince


