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Gestão Ágil, Alta Performance e Inteligência Artificial: reflexões no Congresso Internacional de Inovação Jurídica

Painel “Gestão Ágil de Alta Performance e IA” na AB2L Lawtech Experience 2025: cultura, governança e produtividade no Direito

Durante a AB2L Lawtech Experience 2025, o painel “Gestão Ágil de Alta Performance e IA” reuniu profissionais para debater os desafios e oportunidades da transformação digital no Direito. Entre os destaques, as falas do professor e advogado José Alves chamaram a atenção do público ao trazer uma visão prática e cultural sobre o impacto da agilidade e da inteligência artificial (IA) no universo jurídico.

O “defeito de fábrica” da advocacia

José Alves iniciou destacando um ponto crítico: a ausência de formação em gestão na faculdade de Direito. Para ele, a pandemia mostrou de forma clara a necessidade dessa mudança de mentalidade: os tribunais, escritórios e departamentos jurídicos precisaram se adaptar em tempo recorde para continuar funcionando.

“Nós saímos da universidade sem aprender a gerenciar. O que acontece? Acabamos replicando modelos antigos, mais próximos do comando e controle da era industrial. Só que o mundo atual exige adaptação constante. Isso é agilidade: não apenas rapidez, mas a capacidade de se ajustar diante de cenários incertos.”
Dr. José Alves
Dr. José Alves

Agilidade como cultura e não apenas como método

Segundo José Alves, mais do que técnicas de gestão, a agilidade exige uma nova cultura organizacional: “Gestão ágil é, acima de tudo, uma mudança cultural. É criar ambientes que permitam adaptação, que fujam da resistência da chamada ‘cultura Gabriela’ – eu nasci assim, cresci assim, vou ser sempre assim. Se não mudarmos, não conseguimos evoluir.” Ele reforçou que a gestão ágil só gera resultados quando combinada com estratégia, clareza de processos e propósito definido.

O “morango do amor”: inteligência artificial

Sobre o papel da IA, José Alves foi direto: “A inteligência artificial hoje é o morango do amor: todo mundo quer provar. Mas, assim como o morango pode quebrar o dente, se não for usada com responsabilidade, pode gerar problemas sérios.” Segundo ele, existem dois extremos perigosos: escritórios que adotam a IA de forma irresponsável e sem governança; e organizações que têm medo excessivo e proíbem totalmente seu uso. O caminho é o equilíbrio, com treinamento, políticas claras e consciência dos riscos de segurança e sigilo profissional.

O alerta de Carla Couto: riscos de sigilo e compliance

“Já tivemos o caso de empresa que acabou tendo que proibir o uso de inteligência artificial porque os funcionários vazaram, colocaram informações confidenciais… e aquilo acabou vazando.”
Dra. Carla Couto
Dra. Carla Couto

A advogada Carla Couto reforçou essa preocupação ao lembrar casos em que empresas tiveram de proibir o uso de IA após falhas graves de segurança: “Já tivemos o caso de empresa que acabou tendo que proibir o uso de inteligência artificial porque os funcionários vazaram, colocaram informações confidenciais… e aquilo acabou vazando.” Para ela, o uso da tecnologia só pode trazer ganhos reais quando acompanhado de políticas internas de governança, treinamentos e protocolos claros de proteção de dados.

A visão prática de Gilson Mesquita: IA para produtividade

O advogado Gilson Mesquita trouxe um exemplo prático de como a IA já pode ser usada de forma acessível no dia a dia da advocacia: “Não sei se você já conhece o Speak, app. É um app que custa em torno de cento e poucos reais… se você está com cliente… vai gravar essa conversa… e a partir de lá, o sistema estrutura tudo com pontuação, concordância e uma argumentação mais profissional.” Para ele, ferramentas como essa mostram como a tecnologia pode aumentar a produtividade de advogados e escritórios, desde que usadas com planejamento e conhecimento técnico.

Dr. Gilson Mesquita
Dr. Gilson Mesquita

A lição prática: IA não resolve tudo

José Alves ainda alertou para um erro comum: implementar IA em processos ruins. “Se o seu processo já é ineficiente, colocar uma IA só vai torná-lo ruim mais rápido. Não adianta acreditar que ela vai ser solução mágica. Muitas vezes o que resolve é apenas uma automação ou ajuste de gargalos.” Ele citou exemplos de pequenos escritórios que, com soluções simples, conseguem competir em produtividade com bancas de médio porte. O segredo está no diagnóstico correto antes da adoção tecnológica.

Conclusão

Para o professor, o futuro da advocacia está na combinação entre agilidade e uso responsável da IA: “A IA é um caminho sem volta e será um grande aliado da gestão jurídica. Mas só trará alta performance se usada com estratégia, governança e clareza de propósito.” O painel mostrou que, embora a IA traga oportunidades sem precedentes, o verdadeiro diferencial está em como ela é aplicada: com governança (como lembrou Carla Couto), produtividade prática (como exemplificou Gilson Mesquita) e visão estratégica (como destacou José Alves).

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